Sinopse
After Hours Athletes: Análise
06/01/2012, em Análises , por Vitor Braz
After Hours Athletes é uma compilação dedicada aos atletas que não gostam de suar ou testar os seus limites físicos. O público-alvo é aquele que gosta de contar pontuações e não calorias, de preferência com uma cerveja mesmo ali à mão.
Os três títulos que marcam presença são, na verdade, reedições de jogos que já apareceram na PlayStation Network. High Velocity Bowling é um jogo de bowling lançado no já longínquo ano de 2007 e que naturalmente não incluía na altura suporte para o Move. Top Darts é um jogo de dados lançado em Dezembro de 2010 e por fim Hustle Kings é um jogo de snooker que apareceu na loja digital durante Janeiro de 2010. O entusiasmo de cada jogador perante esta trilogia dependerá em muito de dois fatores: a inclinação para este tipo de jogos de bar e a possibilidade de já ter um ou mais títulos presentes em After Hours Athletes.
Desporto para apreciadores de tremoços
Antes de mais e tal como em outras compilações e/ou remakes lançados ultimamente, After Hours Athletes sofre de um mal que desejamos que seja erradicado num futuro muito próximo – a impossibilidade de voltarmos ao ecrã de escolha dos jogos, obrigando a sair completamente do jogo. Pode parecer um problema menor mas acaba por ser incómodo e o seu grau varia consoante a regularidade com que nos apetece mudar de uma partida de dardos para uma de bowling, por exemplo.
Como é de esperar, o suporte Move é a principal razão de ser de After Hours Athletes, com três jogos que em teoria se adequam na perfeição ao comando de movimentos da Sony. Na prática, o resultado alterna entre eficaz e suficiente, oferecendo um mínimo de sensações e de fidelidade aos desportos reais.
Começamos pelos dardos, o jogo para o qual as probabilidades de qualquer jogador escolher em primeiro lugar são as mais elevadas. É ainda, pelo menos aparentemente, o desporto menos complicado de reproduzir, mas já sabemos que as aparências iludem. O problema maior de Top Darts não sair tão natural como desejado pode ser mesmo atribuído ao próprio Move, já que este é alguns centímetros bem mais denso do que um mero dardo, mas neste aspeto e em plena consciência, não se pode atribuir a culpa a ninguém.
Já o sistema de lançamento de dardos não é o mais intuitivo, é mesmo desnecessariamente mais complicado do que deveria. Não basta apontar e lançar, é preciso bloquear a mira e apenas depois atirar o dardo com toda a calma do mundo… ou não. Poderíamos pensar que ter este bloqueio seria sinónimo de jogadas demasiado fáceis (e potencialmente capazes de arruinar o jogo), mas a verdade é que toda a precisão do mundo é incapaz de levar o dardo sempre ao local que prevíamos. Como os nossos rivais virtuais rapidamente se mostram exímios nesta arte, é difícil superarmos a sua habilidade.
No entanto, Top Darts não deixa de ser agradável. É um jogo simples mas bem realizado, tirando esta estranha escolha para o lançamento do dardo, mas quem souber adaptar-se ao sistema irá tirar alguma diversão dele. Falta-lhe é um modo online.
Hustle Kings tem tudo aquilo que um apreciador de snooker poderá desejar. Até demais, talvez, como a necessidade de andar constantemente a passar giz na ponta do taco, gesto indispensável na realidade mas que aqui, com a rotação do Move, não consegue ter o mesmo charme. No entanto, quem aprecie esta atenção ao detalhe até pode escolher vários tipos de giz, com efeitos praticamente mágicos – um melhora a pontaria, outro o efeito e por aí fora.
Usar o Move como taco não parece a tarefa mais intuitiva, mas rapidamente nos habituamos à ideia, muito graças à minúcia que podemos entregar às tacadas. A linha que indica a trajetória da bola branca é uma ajuda indispensável, ainda para mais se decidirmos adicionar efeito, mas é preciso mão sensível para alinhar as tacadas mais difíceis. O tutorial é indispensável e para além de podermos defrontar algumas personagens, existem vários desafios para os perfecionistas. Um modo online permite defrontar outros jogadores, algo bem mais interessante do que enfrentar a consola.
Em termos puramente técnicos, a música é do mais irritante que já ouvimos e os avatares não passam de imagens cartoon sem qualquer ponta de personalidade ou interesse. Basicamente temos um cenário, uma mesa de snooker e o resto é minimalista.
Por fim, High Velocity Bowling é um jogo que já tem vários anos em cima mas que regressa com suporte Move. O bowling não parece ser o mais difícil dos desportos de recriar e este jogo comprova isso, ainda que os seus criadores tenham optado por uma abordagem mais pateta e caricatural. Assim, as personagens vão desde assistentes de bordo a donos de casas mortuárias e camionistas, com os comentários (rapidamente repetitivos) que se lhes associa. O mesmo se passa com as pistas, decoradas de forma bem diferente daquilo que conhecemos na realidade. As próprias bolas e pinos podem ter decorações pouco usuais.
Apesar do aspeto algo tresloucado do jogo, a parte do bowling é tratada com respeito e fidelidade ao original. Por isso, em termos de simulação, High Velocity Bowling oferece aquilo que os apreciadores procuram, se conseguirem suportar o tom visual por vezes excessivamente berrante. Existe ainda a possibilidade de jogar online.
Como conjunto, as três modalidades de After Hours Athletes combinam bem mas o pacote não é tão apelativo como poderia, culpa do seu preço e da inevitável comparação com os títulos isolados na PSN. Alternando entre o bom e o aceitável, os jogos têm o seu quê de interessantes, sobretudo em multijogador, mas After Hours Athletes é recomendado apenas a quem adore as três propostas e não passe sem estes jogos na sua coleção física.
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| Gráficos: 7 | Som: 6 | Jogabilidade: 7 | Pontuação Final: 6/10 |
Jornalista que foi um dos fundadores do portal PTGamers (Março de 1999) e o qual elevou ao estatuto de melhor portal nacional de videojogos. Ao longo de mais de uma década acompanhou de perto a indústria dos videojogos. Fundador do portal PlanetaJogos.pt, que pretende ser uma nova referência no seu campo.

















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