“Core Gamers”, uma coisa do passado?
20/01/2011, em Especiais , por Miguel Coelho (Inspectorpj)
A nossa querida indústria dos videojogos é ainda uma criança, especialmente se a compararmos com a do cinema, que apareceu no longinquo ano de 1895 num café de Paris, mas ambas estas indústrias têm alguns pontos em comum.
Ambas as indústrias foram desvalorizadas de início, sendo que o cinema demorou bastantes anos a ganhar a relevância social que tem nos dias de hoje. Chegou mesmo a passar um mau bocado, quase desaparecendo uns anos após o seu nascimento devido a uma crise económica. A dos videojogos (em especial nos EUA) também sofreu um “crash” nos anos 80. Devido a uma completa falta de regulamentação da industria, toda a gente queria uma fatia, lançando-se para o mercado tudo o que se assemelhasse a um jogo com o objectivo de ter lucro. Existiam demasiadas consolas ao mesmo tempo no mercado, demasiados jogos de qualidade dúbia, – que muitas vezes não passavam de cópias de outros, apenas com um novo esquema de cores ou sons – muita pouca informação sobre os jogos que realmente tinham qualidade, o que por sua vez levou à perda da confiança por parte dos consumidores.
É após alguns anos de empresas a falirem e de especialistas a anunciarem a morte prematura da indústria que surge nos Estados Unidos a “Nintendo Entertainment System” ou NES. Com os seus poderosos 8-bits, comandos inovadores e jogos de qualidade, esta consola veio ressuscitar um mercado que quase tinha sido aniquilado por forças extraterrestres. (E.T. phone home, anyone?)
A verdade é que os 8-bits não eram assim tão poderosos, impondo sérias limitações no desenvolvimento de jogos. Estas limitações eram ultrapassadas refinando a jogabilidade de um titulo, sendo esse o aspecto mais importante de um jogo nessa altura.
De alguns anos para cá a indústria cresceu a olhos vistos, perdeu um pouco o seu status de produto para crianças ou nerds que vivem em caves bolorentas. Ganhou até um estatuto “cool” com a introdução de produtos como os vários Rock Band, os Singstar, a Wii, etc.
Isto é tudo fantástico para a indústria como negócio, mas será tão positivo assim para os jogadores? Acham que a indústria irá esquecer os jogadores core, passando a focalizar-se mais na fatia de mercado de jogadores casuais (que por sua vez são menos exigentes)? Ou acham que a indústria está apenas a crescer e a aproveitar novas oportunidades de negócios que surgem?
Digam-nos de vossa justiça!
A tirar a sua licenciatura em Ciências da Comunicação, tem os videojogos e o cinema como as suas duas grandes paixões. Desde 1988, ano em que nasceu, já jogou um pouco de tudo, espera agora passar um pouco dos seus conhecimentos e experiências videojogáveis para os leitores do PlanetaJogos.









Facebook
Twitter
Youtube
RSS
Email