Endless Space: Antevisão
20/06/2012, em Antevisões , por Vitor Braz
O género da estratégia espacial parece definitivamente estar a ganhar um novo fôlego, para alegria dos fãs destes jogos decididamente táticos. Endless Space é mais um dos que estão prestes a chegar e tal como Gemini Wars vem pelas mãos da editora Iceberg Interactive. Só que ao contrário desse jogo que recentemente analisámos por aqui, Endless Space é pura estratégia do princípio ao fim, quase como que um Civilization espacial, passe algum exagero.
Antes de mais é um prazer constatar que a versão beta é de tal forma estável e afinada que quase parece que estamos perante o jogo final. No entanto, não é assim e vamos apenas partilhar as nossas primeiras impressões sobre Endless Space.
O espaço profundo é para homens (e alienígenas) de barba rija
Tal como é hábito nestes jogos, os primeiros passos são acompanhados por um tutorial. Este não é interativo, não nos guia passo a passo por cada opção, surgindo apenas quando passamos pela primeira vez por algum menu. As indicações são vastas e aparentemente capazes de nos afogar em informação, mas após a primeira hora de jogo as coisas revelam-se intuitivas e mais práticas do que poderíamos pensar.
Endless Space conta com um poderoso zoom como já vimos em outros jogos de estratégia 4X, mas neste caso todo o movimento se realiza por turnos, à maneira de um jogo de tabuleiro. O movimento das nossas naves é limitado por turno e tudo gira à volta disto, desde a construção à pesquisa de novas tecnologias. O final do turno cede a vez a outra raça (ou jogador, no caso do multijogador) e retomamos no próximo turno com novos movimentos e, espera-se, algumas novidades em termos de construção de naves ou de pesquisa.

Este último aspeto é de extrema importância em Endless Space. A árvore de pesquisa encontra-se dividida em quatro áreas (armas, tecnologia, diplomacia e ciência, para resumir as coisas) e é extremamente rica em possibilidades. Uma conjugação de todas as áreas será a mais indicada, mas nada nos impede de focar num só ramo. Uma boa opção é a de colocar em fila de espera a próxima pesquisa, embora por vezes o simples clique para ver o que algo faz coloca logo a tecnologia como próxima a ser desenvolvida. Convém ainda dizer que muitas das pesquisas são fundamentais para avançarmos no jogo, nomeadamente a colonização dos diversos tipos de planetas, sejam de gelo, desérticos, tundras ou outros.
A colonização de um planeta traz óbvias vantagens, aumentando os recursos do nosso império (podemos escolher entre oito fações diferentes). Como praticamente tudo, desde a pesquisa à construção de naves custa recursos, a expansão é um passo essencial para dominar o sistema.
Um bom jogo 4X tinha de conter elementos clássicos como a diplomacia ou a guerra. Durante a exploração do sistema vamos deparar com outras raças às quais podemos propor algo (ou vice-versa). Após uma análise às suas inclinações (são pacíficos? Quais as suas riquezas?) podemos contactá-los e chegar a um acordo diplomático para troca de bens ou, simplesmente, declarar guerra. Uma outra árvore exibe as intricadas relações entre as várias espécies, mostrando quem está em guerra com quem.
Naturalmente que durante a exploração vamos deparar com raças menos simpáticas (ou nós é que não fomos simpáticos com elas) e o passo inevitável é mesmo o combate, e é aqui que Endless Space se afasta ainda mais de Gemini Wars, Homeworld e afins. Este pode ser resolvido de duas formas: automaticamente ou com a nossa intervenção. No primeiro caso temos uma resumida análise das forças em disputa e as possibilidades de vitória, pelo que é ideal para combates onde temos claramente vantagem numérica. No segundo caso podemos influenciar o desenrolar mas não da maneira que poderiam pensar – é um género de jogo de cartas que se passa em determinadas fases (começo, longa distância, média distância e curta distância). Se demorarmos muitos segundos a escolher a ação para cada fase a batalha inicia-se sem a nossa influência, o que pode ser desastroso. No entanto, a realidade é que nos foi difícil notar a real influência que tivemos no combate, enquanto observamos belíssimos modelos 3D das naves a trocar tiros umas com as outras.

É uma escolha que se compreende, não nos tirando do cargo de imperador e deixando os nossos leais súbditos (e heróis que podemos contratar para algumas vantagens) tratar do combate propriamente dito. Ainda assim optámos mais regularmente pela via do combate automático que, sem ser uma melhor escolha, ao menos garantia uma fluidez superior às partidas e desfechos que provavelmente não serão muito diferentes da forma alternativa.
Endless Space inclui o importante modo multijogador mas de momento não conseguimos experimentar esta vertente por falta de jogadores online.
Por fim, a parte técnica foi uma boa surpresa, com um Endless Space já bastante interessante. O design é limpo e esteticamente muito agradável e a música assenta muito bem no tom do jogo.
Endless Space parece ser capaz de convencer os estrategas mais exigentes com a sua profundidade de opções e consegue esconder as suas raízes indie por trás de uma técnica realmente competente e de bom gosto. Esta versão beta parece já muito avançada e dificilmente existirá alguma surpresa desagradável até ao lançamento, previsto para Julho no Steam e 24 de Agosto noutras plataformas digitais e lojas.
Jornalista que foi um dos fundadores do portal PTGamers (Março de 1999) e o qual elevou ao estatuto de melhor portal nacional de videojogos. Ao longo de mais de uma década acompanhou de perto a indústria dos videojogos. Fundador do portal PlanetaJogos.pt, que pretende ser uma nova referência no seu campo.









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