Sinopse
Gemini Wars: Análise
13/06/2012, em Análises , por Vitor Braz
Com a epopeia espacial Homeworld bem longe na memória e ainda mais no espaço, coube a estúdios de menor renome a tarefa de manter bem vivas as sagas de estratégia espacial. Entre Sins of a Solar Empire e Sword of the Stars, é bom constatar que este é um género ainda cheio de força e de equipas dispostas a nos enviar para os confins do espaço – sempre com o propósito de aniquilar outras raças ou companheiros humanos.
Gemini Wars é a mais recente entrada na estratégia 4x (eXplore, eXpand, eXploit, and eXterminate) e, tal como os seus companheiros, é um jogo indicado para os mais pacientes e para as mentes mais táticas. É também um jogo que não agita a cena em que se move, sendo certinho e competente mas igualmente incompleto (o multijogador chega mais tarde) e demasiado tradicional. É um jogo que adoramos a espaços e detestamos em igual medida, não se destacando em nenhum campo mas não fazendo nada propriamente mal. Confusos? Leiam o que se segue.
Selva intergaláctica
O pequeno estúdio Camel 101 faz a sua grande estreia com Gemini Wars, um jogo que inclui na descrição da caixa o modo multijogador, que na verdade vai ser lançado apenas nos meses que se seguem. Apesar de este modo ser gratuito, a medida não é a mais indicada para garantir o apoio dos jogadores, visto muitos deles poderem não saber deste plano. É assim uma jogada algo arriscada, não chegando a ser meio jogo que está à venda, mas não deixa de parecer que estamos a adquirir um produto inacabado. A obrigação de nos registarmos – rapidamente, mas não deixa de ser um registo online – também nos parece exagerada para um jogo que ainda vive puramente do modo solo.
Passamos então ao modo solo do jogo, que nos coloca numa campanha de 16 longas e ocasionalmente emocionantes missões. Antes de mais, temos um tutorial que nos explica em detalhe como navegar e conquistar o espaço, mas o conceito não difere muito de outros jogos do género, pelo que os fãs não terão grandes problemas em começar a epopeia.
O começo da aventura é vagaroso, talvez mais ainda do que noutros títulos de estratégia semelhantes, com as possibilidades do jogo a serem lentamente desbloqueadas conforme superamos as missões, que começam com a simpática duração de mais de meia hora até poderem alcançar facilmente o dobro ou triplo. Paciência é um requisito indispensável, já que apesar de não se basear na micro-gestão de planetas e frotas, é necessário construir um número elevado de naves para defender as bases e partir à conquista de território inimigo. A espera para cada construção é algo longa e o próprio movimento das naves não prima pela ligeireza, pelo que Gemini Wars é o jogo ideal para fazer um lanche enquanto aguardamos pela recolha de recursos e outras tarefas mais.
Gemini Wars sofre ainda de um problema (por assim dizer) que aflige outros jogos do género, situados no espaço ou não – as partidas podem resultar em frequentes e inconsequentes batalhas que levam ao mesmo processo de construção e ataque. É preciso perceber e suportar isto vezes sem conta até descobrirmos uma conjugação de unidades ou de timing que nos leva à vitória, nunca descurando a defesa das nossas bases, deixando algumas naves para trás e construindo armas fixas. O limite de unidades irá trazer dores de cabeça a mais do que um jogador.
Mas não é só de batalhas que vive Gemini Wars, existem outros elementos a compor os vastos mapas do jogo. Entre saltos de um planeta para outro (e mesmo de sistemas) e colonização hostil, existe igualmente uma árvore tecnológica para desenvolver novos tipos de naves. O poderoso zoom pode ir desde examinar uma nave até um sistema inteiro e revela-se um dos pontos fortes do jogo.
As missões são regularmente acompanhadas por diálogos entre a nossa personagem e outros membros da fação, mas por vezes os diálogos são demasiado extensos e tornam-se aborrecidos por um motivo principal – é impossível jogar enquanto assistimos a estas trocas de palavras. Se pudéssemos interagir enquanto escutamos os diálogos esta situação não se tornava tão incómoda como é na realidade e não será a hipótese de saltar inteiramente a cena que se revela como um bom compromisso. A história não é particularmente memorável, com duas fações inimigas que têm de unir forças para combater uma nova e misteriosa ameaça alienígena, mas existem momentos interessantes ao longo da campanha.
Visualmente Gemini Wars é competente mas não deslumbra. As cores de fundo e os planetas são especialmente interessantes de ver e os zooms e rotações ainda os tornam mais admiráveis, mas o conjunto perde em qualidade com a relativa pobreza das unidades, sejam elas naves ou estruturas. Num jogo onde passamos o tempo todo a gerir movimentações de naves, este é um facto impossível de negligenciar.
Gemini Wars não esconde as suas arestas por limar e a sua origem indie é bem evidente. Falta-lhe algum brilho para se destacar no meio de um género que não é assim tão desfalcado como o foi há uma mão cheia de anos e a ausência (atual) de multijogador é um claro ponto negativo. O jogo é indicado para quem gosta de se envolver numa história e quer testar as suas capacidades estratégicas contra a inteligência artificial, mas Gemini Wars não é a mais absorvente e polida oferta dentro do género.
* Versão analisada: PC
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| Gráficos: 6 | Som: 6 | Jogabilidade: 6 | Pontuação Final: 6/10 |
Jornalista que foi um dos fundadores do portal PTGamers (Março de 1999) e o qual elevou ao estatuto de melhor portal nacional de videojogos. Ao longo de mais de uma década acompanhou de perto a indústria dos videojogos. Fundador do portal PlanetaJogos.pt, que pretende ser uma nova referência no seu campo.



















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