Sinopse
Kinect Disneyland Adventures: Análise
02/12/2011, em Análises , por Vitor Braz
Se há um jogo que parece ter sido pensado ao milímetro para provocar em nós uma sensação de alegria e bem-estar, esse jogo é Kinect: Disneyland Adventures. Naturalmente destinado aos mais jovens, este jogo é mais do que isso, é uma experiência que mistura de forma exemplar uma visita virtual ao famoso parque de diversões com uma série de mini-jogos bem variados.
A Frontier Developments conseguiu neste jogo um enorme feito, o de fugir à síndrome da coleção de mini-jogos, apresentando uma obra fluida, envolvente, um mundo que é um conjunto digno de se explorar só pelo prazer inerente. Mais do que um jogo, é uma experiência que os mais pequenos adorarão viver, uma visita virtual à Disneylândia recheada de personagens que muitos ainda hoje guardam com carinho no seu imaginário.
Sonho de criança
O nosso avatar é, apropriadamente, uma criança que selecionamos através de um brevíssimo sistema de escolhas entre cara, roupa e pouco mais. A partir daqui entramos numa recriação que não é exata mas tem o mérito de conseguir transmitir toda a magia e locais marcantes da Disneylândia, de uma maneira que apenas os conhecedores saberão apontar as ínfimas diferenças.
O vasto elenco vai desde os inesquecíveis Pato Donald, Pateta e Mickey até outros de obras mais diversas, desde a jovem Alice, a Besta, Woody e Buzz Lightyear de Toy Story, a Branca de Neve ou a Cinderela, entre as 40 com quem podemos interagir. Há para todos os gostos e idades e são geralmente recriações excelentes, sendo as próprias personagens como as conhecemos e não humanos dentro de fatos.
Pelo nome Kinect: Disneyland Adventures é fácil perceber que toda a interação se realiza através de movimentos captados pelo periférico da Microsoft. Para andar e correr é necessário estender o braço esquerdo, enquanto a interação com as personagens se realiza através de gestos específicos. Para conversarmos com elas basta acenar-lhes, sendo que depois nos será geralmente atribuída uma missão. Seja passear em busca de autógrafos ou descobrir um objeto perdido, existem muitos pretextos para explorar o animadíssimo parque e conhecer todos os seus recantos.
A interação com as personagens é superficial, mas irá agradar aos mais novos, que adorarão abraçar, fotografar (com direito a uma divertida pose) ou dançar com os seus heróis, entre outras ações. O resultado é regra geral animado e tão doce que até parece capaz de provocar diabetes, mas nem nós conseguimos ficar indiferentes a um abraço do Pateta. As simples missões de levar algo de uma personagem a outra conseguem ter um certo quê de especial, tudo graças aos ícones populares que vemos à nossa frente, conseguindo roubar-nos um sorriso com a sua alegria contagiante.
As outras missões, ou mais propriamente mini-jogos das atrações do parque, estão suficientemente bem pensados para que pareçam parte de um conjunto e não algo adicionado sem qualquer consideração pelo resto. A variedade é muito boa, pelo menos em termos estéticos, transmitindo toda a magia que os mais pequenos certamente retiram deste universo e a sua duração pode ser bastante consequente. Desde cair por um buraco ou dançar com o chapeleiro louco na atração de Alice no País das Maravilhas até atirar bolas de neve a iétis ou esquiar com o pateta, há muito para ver nas 18 atrações disponíveis, ainda para mais sabendo que cada atração se divide por vários e diversificados jogos.
Tendo em conta o público-alvo de Kinect: Disneyland Adventures, é compreensível que não se possa perder estes mini-jogos, mas o nosso desempenho será avaliado numa escala de cinco estrelas. Para além disso, praticamente todos eles estão recheados de moedas ou nos premeiam com elas, podendo depois serem gastas na loja em itens para vestirmos (chapéus, vestidos, etc.) ou outras coisas como álbuns de fotografia e livros de autógrafos, que podem ser específicos para certas personagens.
A ausência de tabelas de pontuação ou algo que incentive a competição neste jogo pode ser visto por alguns como uma falha, mas novamente considerando os mais jovens, o que interessa aqui é a experiência e as memórias que ficam após interagir com os seus heróis, como que na preparação para uma visita bem real à Disneylândia. Esperar algo diferente deste “jogo” é interpretar de maneira completamente errada o seu conceito.
Em termos de jogabilidade propriamente dita, não existem grandes surpresas no que ao Kinect diz respeito. Os gestos são os habitualmente usados nos jogos que exploram este periférico, sobretudo a inclinação do corpo para nos movimentarmos ou desviarmos e as poses para as danças. Os controlos reagem relativamente bem, embora certas ações como atirar algo ou utilizar o inventário não sejam as mais práticas. Nem tudo funciona na perfeição, mas a ilusão é suficientemente convincente para nos fazer esquecer as falhas. Um segundo jogador pode ainda entrar a qualquer momento, tornando as atrações decididamente mais divertidas.
Todo o conjunto está brilhantemente criado, com fabulosos modelos das personagens e um parque com muito para ver e apreciar. As atrações não ficam atrás, com níveis cheios de cor e animação. O melhor de tudo é que todo o parque se encontra cheio de vida, com inúmeros visitantes de todas as cores e feitios a passear de um lado para o outro e a comentar o que o parque tem para oferecer. O motor é robusto e suficientemente capaz de lidar com toda a agitação que vemos no ecrã. Tecnicamente Kinect: Disneyland Adventures sai com nota elevada e nisso adultos e crianças terão de estar em acordo.
No final, entrar neste parque virtual pode não ser a mesma coisa que visitar o real, mas há que ver os pontos positivos que até nem são poucos: não fica tão caro, não temos de esperar horas e horas para entrar numa atração e sabemos que temos tempo para ver todos os nossos heróis preferidos, nem que leve semanas. Para os mais pequenos, Kinect: Disneyland Adventures é uma aventura mágica e o melhor aperitivo imaginável para uma visita à verdadeira Disneylândia.
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| Gráficos: 9 | Som: 8 | Jogabilidade: 7 | Pontuação Final: 8/10 |
Jornalista que foi um dos fundadores do portal PTGamers (Março de 1999) e o qual elevou ao estatuto de melhor portal nacional de videojogos. Ao longo de mais de uma década acompanhou de perto a indústria dos videojogos. Fundador do portal PlanetaJogos.pt, que pretende ser uma nova referência no seu campo.

















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