Sinopse
Kinect Sports Season Two: Análise
14/12/2011, em Análises , por Vitor Braz
Após uma primeira temporada a bom nível, a Rare partiu para uma segunda época de Kinect Sports com a confiança renovada e a intenção de oferecer aos jogadores um pacote que conta com seis novos desportos. Em Kinect Sports: Season Two são sobretudo os jogadores norte-americanos que partem com mais entusiasmo, muito por culpa da adição das modalidades de futebol americano e basebol, mas existem outras mais em voga por cá.
Diga-se desde já que o conjunto de Kinect Sports: Season Two não irá reunir consenso, deixando de parte alguns dos mais apreciados do primeiro jogo, como o pingue-pongue ou o bowling. Ter pelo menos estas duas certezas em versões melhoradas a juntar à parca meia dúzia de novidades enriqueceria um pouco mais a oferta, mas vamos ter de passar sem eles neste disco. Os seis desportos são: basebol, futebol americano, golfe, dardos, ténis e esqui.
Desportistas de sofá, aos vossos lugares
A solo, a ideia em cada desporto é a de desafiar três oponentes de diferentes dificuldades. O nosso desempenho premeia-nos com pontos (mais propriamente fãs) e subidas de nível de experiência, para além do registo das calorias despendidas em cada prova. Os dardos não nos parecem ser capazes de nos fazer perder tantas calorias como as apresentadas, mas vamos ignorar esse detalhe. Algumas das modalidades contam ainda com um mini-jogo mais descontraído, como o golfe com o seu tiro ao alvo a partir de um iate. Todos os jogos podem ser, naturalmente, jogados com um amigo online ou offline.
Mas é a robustez das modalidades que faz ou quebra um título como Kinect Sports: Season Two e nesse aspeto nem tudo surge calibrado como se desejaria. Manda a tradição que no meio de tal oferta existam desportos que se destaquem pela positiva e outros que não merecem mais do que algumas tentativas e essa regra de ouro aplica-se aqui, apesar de ultimamente recair no gosto pessoal.
O futebol americano, desprovido das suas regras mais complicadas, acaba por ser uma versão demasiado leve daquilo que o torna apreciado por milhões. Entre corridas e passes num enquadramento extremamente limitado, o dinamismo do desporto original perde-se, assemelhando-se a dois ou três micro-jogos reunidos num só. A única opção de verdadeira influência é a escolha do tipo de jogada, entre passes curtos, médios ou longos e que mesmo assim pode ser decidida automaticamente. Correr entre os defesas é o mesmo que correr em linha reta, cruzando os dedos para que estes não nos derrubem, visto que não podemos desviar-nos, saltar ou fazer qualquer outro movimento que habitualmente vemos na realidade. Por fim, não há como defender, sendo esta vertente apresentada em formato de gráfico e sem qualquer intervenção do jogador.
O basebol não se apresenta tão limitado como o futebol americano, oferecendo as bases do desporto, nomeadamente a receção, o lançamento e a corrida para a base. No primeiro caso, após a tacada, temos de correr no mesmo local para chegar à base, mas não existe a hipótese de tentar fazer mais do que uma base de cada vez. O lançamento possibilita a escolha entre bolas lentas, rápidas ou em curva, com uma nota a salientar a fraqueza do recetor da equipa rival. Se ele acertar, temos de estender a mão para apanhar a bola rapidamente, apenas isso. O basebol acaba por ser algo limitado, mas capaz de entreter os fãs.
Os dardos podem queimar tantas calorias como o xadrez, mas é um reconhecido jogo de taberna e de desenvolvimento aparentemente simples. O objetivo é ser o primeiro dos dois jogadores a chegar a exatamente a zero, começando com a pontuação de 501. O controlo do dardo é precisamente como na realidade e se o Kinect faz um bom trabalho no reconhecimento do movimento, não deixa de ocasionalmente se perder um pouco, mas nada que prejudique gravemente a jogabilidade. É um dos melhores jogos para passar um bom momento a dois, com o bónus de podermos fazer movimentos ridículos por trás do jogador controlado pela consola.
Possivelmente o melhor desporto de Kinect Sports: Season Two é o golfe, não sendo deixados de parte detalhes essenciais como a força e direção do vento, a mudança de tacos e até podemos visualizar o percurso colocando a mão na testa, como se estivéssemos a tentar ver ao longe. Embora os níveis de força da tacada sejam reduzidos (o mini-jogo no iate deixa entender que são apenas três), isto é suficiente para alguns bons momentos e deixa antever o potencial de uma verdadeira simulação de golfe com o Kinect.
O esqui é aqui uma modalidade simples e bastante exigente a nível físico, que acaba por ser divertida pela sua franqueza. Basta inclinar o corpo para passarmos pelas bandeiras e agacharmo-nos para ganhar velocidade, com o ocasional salto a apimentar a corrida. O mini-jogo correspondente ainda consegue ser mais exigente, obrigando-nos a desviar dos obstáculos em descidas gradualmente mais difíceis.
O ténis acaba por ser uma das maiores desilusões de Kinect Sports: Season Two, não escapando a uma tremenda limitação de movimentos e a uma jogabilidade por consequente pouco satisfatória. O movimento do boneco, tal como noutros jogos do género, é automático, ficando o jogador apenas a cargo dos golpes. Mas a situação agrava-se sabendo que a própria direção dos golpes parece completamente aleatória, para além de uma péssima gestão de colisão entre bola e raquete.
Jogar um título destes a solo é algo completamente contra-natura, pelo que com um amigo as coisas melhoram substancialmente, apesar de não fazerem esquecer os pontos negativos salientados. Offline, o Kinect consegue fazer um bom trabalho na distinção dos jogadores, apesar da óbvia necessidade de um espaço amplo. Online, o desempenho continua a ser positivo, não se notando grandes falhas neste aspeto.
Visualmente mantém-se o estilo do primeiro jogo, com o uso dos avatares da Xbox 360 e cenários coloridos que estão dentro do espírito. Alguns deles, como os circuitos de golfe ou a arena de dardos estão recheados de detalhe e de avatares entusiásticos. Os avatares estão bem animados, tirando os momentos das celebrações em que a coisa normalmente corre mal, colocando as mãos pelas pernas, por assim dizer, de maneira fantasmagórica. De resto, não existe uma grande evolução relativa a Kinect Sports e nem foi essa a intenção.
Os comentadores podem ser parcos em palavras, mas fazem um bom trabalho em cada desporto, incluindo mesmo o sotaque e o tom apropriado para cada um deles. Trechos de músicas conhecidas vão surgir no final das provas ou em certos eventos, passando por artistas como Rick Astley ou Duck Sauce.
Kinect Sports: Season Two não é o vencedor que muitos esperavam que fosse, após um primeiro jogo que deixava perceber o enorme potencial do Kinect para estes desportos, que acabou por não ser já concretizado. Com um leque escasso e desequilibrado no qual modalidades como o ténis e o futebol americano surgem demasiado limitadas, o pacote acaba por não ser tão desejável. Os restantes desportos podem não justificar a sua compra para todos, mas os maiores fãs terão certamente aqui vários motivos para tardes animadas com amigos e dias seguintes com dores em todas as articulações.
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| Gráficos: 6 | Som: 8 | Jogabilidade: 6 | Pontuação Final: 6/10 |
Jornalista que foi um dos fundadores do portal PTGamers (Março de 1999) e o qual elevou ao estatuto de melhor portal nacional de videojogos. Ao longo de mais de uma década acompanhou de perto a indústria dos videojogos. Fundador do portal PlanetaJogos.pt, que pretende ser uma nova referência no seu campo.





















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