Sinopse
Kinectimals: Now With Bears: Análise
21/12/2011, em Análises , por Vitor Braz
A série Kinectimals arrisca-se a dominar o mercado como a simulação de animais de estimação que podem potencialmente devorar os seus amigos humanos num piscar de olhos. Aos felinos do primeiro jogo juntam-se agora os ursos de diversos tipos, num dos jogos mais felpudos e doces de que há memória. É uma boa forma de escapar aos habituais cães e gatos, animais domésticos de eleição, ainda que os comportamentos não fujam ao padrão que tão bem conhecemos.
O charme de Kinectimals é assim multiplicado por dois, entusiasmando os mais novos – e adultos com complexo de Peter Pan – com as interações que as duas espécies permitem. É o melhor exemplo de animais virtuais até à data, com um detalhe colocado no pêlo das espécies absolutamente espantoso, que quase dá vontade de tocar. Mas não tentem isto no jardim zoológico, o resultado poderá ser bem diferente do desejado.
A melhor figura de urso
Se os felinos já são conhecidos do primeiro jogo, a atenção (ou curiosidade) recai agora nas capacidades de “domesticação” dos ursos. A escolha inicial revela-se complicada, entre espécies intensamente fofas como o urso polar, urso negro ou o inevitável panda, entre outros. Embora muitos possam optar por esta dócil e magnifica criatura oriunda da China e que continua sob ameaça de extinção, o pêlo brilhante e sedoso do urso negro capturou a minha atenção. Seja qual for a escolha, todos os filhotes de urso são adoráveis na sua imagem e animação.
A partir daqui começa uma aventura numa misteriosa ilha onde o Kinect é a ferramenta que nos liga à criatura e aos diversos apetrechos que temos à disposição, entre brinquedos, escovas, comida e outros. O termo aventura poderá ser um pouco exagerado, visto que a descoberta de novas zonas faz-se cumprindo uma série de requisitos que passam normalmente por alguma atividade com o animal. O nosso progresso vai revelar novas interações e truques, parecendo estes ursos saídos de um circo, dada a sua aptidão natural para malabarismo ou para aprender a sentar e rebolar numa questão de segundos. Entretanto vamos igualmente encontrando outros ursos com os quais poderemos interagir.
Os movimentos exigidos do jogador são naturais e credíveis, com um bom desempenho do Kinect, apesar de a Frontier Developments nos obrigar a fazer algumas figuras mais intimidatórias, desde o salto em estrela ou deitar no chão. Tudo coisas com que os mais pequenos se irão certamente deliciar. Gestos mais simples como escovar o animal ou dar-lhe comida são à prova de falha, embora a escalada de árvores não seja a mais intuitiva das atividades.
Quando não estamos a ser orientados por Lina, a nossa guia em forma de raposa mágica, e a descobrir novas zonas da ilha, todo o jogo envolve o cuidado e a atenção do filhote de urso ou de tigre, atividade que acaba por ser o essencial de Kinectimals: Now With Bears. No entanto, a roupagem em torno deste “simulador de animais de estimação” é de tal forma cuidada e visualmente maravilhosa que o jogo acaba por ganhar outra dimensão para além dessa limitadora descrição. Quando achamos que já demos demasiada atenção ao animal, eis que outra zona acabou de ser desbloqueada e temos um novo local para apreciar e explorar.
O aspeto polido do jogo tem capacidade para conquistar de imediato os mais novitos mas não irá deixar de cativar alguns jogadores de mais idade, tal o realismo e doçura dos animais, com o pêlo realista a ser um dos maiores atrativos. É também impossível ficar indiferente a um urso que lambe o ecrã como quem nos quer dar um beijo, deixando-o cheio de baba. A própria Lina, com a sua voz doce e suave, é uma agradável presença que só peca por ser um pouco intrometida, com os mais impacientes a poderem achar que lhe foi dado demasiado tempo de antena. Mas ela é uma das provas que até em termos de voz, este jogo mereceu um cuidado exemplar.
O nome de Kinectimals: Now With Bears bem pode parecer saído de uma qualquer campanha de marketing para refrigerantes (“Agora com menos 20% de açúcar”), mas tem o condão de não enganar nas suas intenções. Este é um jogo destinado a crianças e uma obra que as respeita e lhes oferece precisamente aquilo que elas esperam – um título de qualidade, divertido e colorido, com animais que são dos mais reais que já passaram pelo ecrã de uma consola. É o mais aproximado que muitos terão de fazer festas a filhotes de ursos e tigres, mas aqui entre nós, recomendamos que não tentem a experiência na vida real. Não sejam ursos… sejam amigos deles.
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| Gráficos: 8 | Som: 8 | Jogabilidade: 8 | Pontuação Final: 8/10 |
Jornalista que foi um dos fundadores do portal PTGamers (Março de 1999) e o qual elevou ao estatuto de melhor portal nacional de videojogos. Ao longo de mais de uma década acompanhou de perto a indústria dos videojogos. Fundador do portal PlanetaJogos.pt, que pretende ser uma nova referência no seu campo.















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