Sinopse
Magicka: Análise
31/01/2012, em Análises , por Vitor Braz
Uma das mais surpreendentes histórias de sucesso de 2011, Magicka chega agora às lojas nacionais pelas mãos da PlayGames, sendo uma boa altura para vermos o que tornou esta paródia aos universos de fantasia tão conhecida.
O conceito de Magicka parece ter sido emprestado por jogos tão antigos e fora de moda como Gauntlet, onde vários jogadores cooperam contra inúmeros inimigos. Mas o que torna este jogo digno de nota é a forma como o tema da fantasia é tratado, pegando em vários clichés e anacronismos para nos oferecer um mundo conhecido mas visto por um prisma completamente diferente. De uma maneira geral, Magicka é bem sucedido neste aspeto, embora acabe por ser também um pouco vítima do próprio tópico que tenta satirizar.
Heróis de manto e espada
A missão do nosso feiticeiro, ainda fresco da academia, não podia ser mais simples: salvar o mundo. Magicka é um hack and slash na sua essência mas aqui não é questão de classes ou de árvores de experiência, o que temos é um sistema de feitiços inovador que é a grande força do jogo. O jogador tem acesso a oito elementos mágicos: água, fogo, gelo, arcano, energia, escudo, raios e terra. Se cada elemento produz um efeito na sua maior parte das vezes previsível, a produtora Arrowhead Studios foi mais longe com uma combinação destes poderes que pode trazer resultados imprevisíveis. Com um máximo de cinco elementos combinados ou um mesmo elemento repetido para uma descarga mais forte, os efeitos vão do surpreendente ao devastador. Se o começo é dado a combinações lógicas (fogo e terra equivale a bola de fogo), mais para a frente isto dá lugar a experiências que muitas das vezes não correm pelo melhor.
É nesta profundidade de mistura de elementos que Magicka se afasta dos demais jogos do género, oferecendo uma liberdade de abordagem quase inédita aos combates. E uma mente aberta a experiências será necessária, visto que os inimigos são variados, com as suas forças e fraquezas nem sempre facilmente visíveis, para além de que os magos rivais sabem jogar muito bem com o seu arsenal. Não serão os primeiros nem os últimos a levar com o que parece ser um inofensivo jato de água para, segundos depois, serem eletrocutados por um raio bem colocado. Água e eletricidade dá o quê? Pois…
Usar a nossa combinação mágica nos inimigos é essencial, mas também podemos usá-la em nós ou nos nossos companheiros. Não só com energia ou escudo, mas também uma pitada de fogo para contrariar um perigoso manto molhado. Alguns livros vão ainda ensinar-nos certas magias especiais, como uma que permite desacelerar o tempo (uma espécie de bullet time… ou melhor, wand time) e outra que nos faz teleportar alguns metros. As possibilidades são inúmeras e não vale a pena sequer enumerar mais, tanto que o prazer da descoberta é um dos pontos mais interessantes do jogo.
Não é só de combate que vive Magicka – embora seja a parte maior, e não serão os combates contra os bosses que nos vão desmentir – já que ocasionalmente somos confrontados com obstáculos para superar. Por exemplo, um rio que nos bloqueia o caminho (todos sabem que os magos não sabem nadar, certo?) e que um toque de gelo transforma num temporariamente seguro mas escorregadio solo. Ou as chamas que são rapidamente sanadas com uns bons jatos de água.
Apesar de toda esta inventividade, jogar Magicka a solo acaba por se tornar monótono mais lá para o quinto ou sexto capítulo (de treze no total), pelo que seria uma pena ver todo este trabalho desperdiçado por alguma falta de imaginação na história. A paródia tende para o subtil e inteligente, sendo capaz de arrancar alguns sorrisos mas dificilmente uma gargalhada, e a tendência da jogabilidade acaba por ser a de descobrirmos uma magia eficaz e a usarmos repetidamente, pelo menos até ao momento em que formos travados por uma dificuldade algo abusiva a espaços. Felizmente, então, que Magicka é um jogo cooperativo até quatro jogadores, em local ou online, ganhando assim uma outra dimensão e explorando todo o seu potencial.
Se Magicka já consegue encher o ecrã com efeitos pirotécnicos a solo, com quatro jogadores instala-se uma confusão que não deixa tempo para respirar. Entre ajudar um companheiro a recuperar energia enquanto outro nos protege dos inimigos, tudo isto sabendo que uma magia mal colocada pode resultar no final de todos os esforços (aqui o friendly fire é a doer), a agitação é muita, demasiada mesmo. Mas é destes momentos que provém a maior diversão do jogo, principalmente em local, com combinação de estratégias e falhanços rotundos que, aliados ao humor leve do jogo (que brinca com obras como 300, Diablo, Regresso ao Futuro, Star Wars e Warcraft, entre outras), resultam em horas bem passadas.
Mas Magicka sofre de alguns problemas que influenciam negativamente a jogabilidade. Para além da dificuldade em entrar numa partida multijogador online, a estabilidade não é o seu maior trunfo. A solo, demos por nós a morrer várias vezes num mesmo boss e a mensagem de “Defeated” nunca apareceu, obrigando a sair do jogo para recomeçar.
Tecnicamente aceitável e com um espírito retro que ajuda a disfarçar as suas limitações, Magicka mostra alguma exuberância graças aos efeitos das magias, uma dança de cores e feitios que parece não ter limites. Esqueçam os gráficos topo de gama e a motion capture, este é claramente um jogo indie na sua concepção e tecnologia e não necessita de floreados para cumprir aquilo a que se propõe.
Por menos de dez euros, Magicka é obrigatório para todos os jogadores saudosos de um bom jogo multijogador, ainda para mais dotado de uma originalidade rara nos tempos que correm. Apesar de tudo, ter pelo menos um amigo é requisito essencial para desfrutar do melhor que esta obra tem para oferecer, já que a solo a experiência acaba por cansar passadas algumas horas. Refrescante e com um sentido de humor apurado, Magicka merece toda a atenção de que tem sido alvo, seja feitiço ou não.
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| Gráficos: 6 | Som: 6 | Jogabilidade: 8 | Pontuação Final: 8/10 |
Jornalista que foi um dos fundadores do portal PTGamers (Março de 1999) e o qual elevou ao estatuto de melhor portal nacional de videojogos. Ao longo de mais de uma década acompanhou de perto a indústria dos videojogos. Fundador do portal PlanetaJogos.pt, que pretende ser uma nova referência no seu campo.

















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