Sinopse
Naughty Bear: Análise
18/07/2010, em Análises , por Vitor Braz
Por vezes, temos uma ideia que parece genial no papel, mas a sua implementação acaba por provar que afinal não era bem assim. É o que parece ter acontecido com Naughty Bear, um jogo que em teoria tinha tudo para fugir à banalidade, mas a sua produção espalhou-se ao comprido. É como se a própria Artificial Mind and Movement se apercebesse que esta era uma ideia que rapidamente ficava gasta e perdeu o interesse na sua obra.
Só isso poderá explicar a pobreza técnica de Naughty Bear e o potencial que ficou por explorar. É um jogo que não sabe bem a quem se dirigir, se aos fãs de Manhunt ou aos de Mario, não aproveitando do tema sequer o humor negro, algo que poderia resultar bem. Este claramente não é um jogo para os mais novos, já que a violência em exibição chega a ser incómoda, enquanto os adultos terão dificuldade em se habituar ao ambiente demasiado meloso – e não será a violência cartoon a fazê-los mudar de opinião.
E o urso sou eu?
A história do jogo é um bom pretexto para a enxurrada de violência “ursa” de que trata. O Naughty Bear é um autêntico proscrito na Perfection Island, com os outros ursos de peluche a gozarem com ele, apesar das suas tentativas para ser seu amigo. Quando o urso Daddles teve o seu aniversário e o Naughty Bear foi afastado da festa, foi a gota de água. Ele podia vingar-se fazendo um risco no carro do outro ou pintando um graffiti na parede da casa, mas decidiu matar todos os ursos da ilha. É uma opção como qualquer outra.
Naughty Bear pode ser descrito na perfeição como um Manhunt fofinho. A polémica obra da Rockstar é a clara referência, desde o foco na (falhada) infiltração até às várias formas de executar os outros ursos, cada uma mais sádica que a outra. Embora se veja um ou outro toque cartoon nas execuções (uma cabeça achatada ou um urso congelado), a verdade é que a maior parte delas poderia sair de um qualquer jogo violento com outras personagens. As tentativas de humor são completamente falhadas, sendo mais divertida a voz do anunciante à maneira de Mortal Kombat (“It’s Naaaughty Time” ou “Total Defluffication”), muito pelo descabido da coisa.
Os ursos não deitam sangue, como é lógico, “jorrando” o seu recheio, composto por penas. É o que mais iremos ver, seja através de mortes por força bruta (a via que mais irão usar) ou utilizando alguns elementos do cenário – um empurrão a um urso distraído em frente à fogueira, uma cabeça dentro da sanita, etc. As restantes alternativas passam por sabotar alguns aparelhos, que quando usados causam algum acidente, ou colocar armadilhas. A variedade de armas não é enorme e as pistolas não são francamente uma boa escolha, dado o mau controlo e as balas limitadas (estranhamente, para a execução aparece sempre uma última bala).
As reduzidas arenas contam com algumas regras, como impedir que qualquer urso fuja da ilha, ou obter uma determinada pontuação de “Naughtiness”. É aqui que o jogo ganha algum interesse, com certas acções a deixarem um aroma do que poderia ter sido o resultado final. Os pobres ursos têm a sua própria tolerância ao medo, com situações como ver ursos mortos, ouvir janelas a quebrar ou outros casos a levá-los um pouco mais perto da insanidade. Existe mesmo uma opção para assustar os ursos, sendo que a loucura completa os deixa desorientados, podendo mesmo ser levados a cometer suicídio. Mas a falta de precisão desta função leva-nos a deixar de sustos e a passar ao uso da mais eficaz catana.
O maior problema de Naughty Bear é que todas as suas mecânicas são exploradas em cerca de uma hora de jogo, não existindo novidades que nos surpreendam. É arena após arena de execuções pouco variadas, adição de novas e pouco interessantes personagens, tentativas de impedir fugas da ilha, condições repetitivas que nos deixam a pensar se já não fizemos esta missão antes, e por aí fora. A própria vertente de infiltração é completamente desprezada, funcionando apenas se estivermos no meio de mato, algo pouco sólido quando uma das condições de várias missões é precisamente não ser detectado durante toda a fase.
Ainda que alguma diversão possa ser retirada do jogo, os problemas técnicos revelam aquilo que referimos no início do texto. A câmara é terrível, completamente perdida, nunca focando convenientemente e requerendo ajustes manuais a todos os segundos. As animações nem sempre se sucedem como deveriam, os loadings demoram uma eternidade e a maneabilidade é de tal maneira imprecisa que damos por nós a correr em círculos, à procura de rumo. Junte-se a isto os visuais desajustados para o que se espera hoje em dia e temos algo que está longe de ser um conjunto atractivo. Não será o multiplayer a salvar o jogo, já que as suas mecânicas continuam a ser as mesmas, mas adaptadas a modos de jogo bem conhecidos.
Naughty Bear acaba por ser uma enorme desilusão. De um urso de peluche psicopata esperava-se algo que fugisse a ideias pré-concebidas e que aproveitasse o melhor das suas inspirações. O que temos é uma obra que é divertida durante muito pouco tempo, acabando por rapidamente se tornar insípida e monótona. Este é, a todos os níveis, um urso com sérios problemas.
| Gráficos: 5 | Som: 5 | Jogabilidade: 5 | Pontuação Final: 5/10 |
Jornalista que foi um dos fundadores do portal PTGamers (Março de 1999) e o qual elevou ao estatuto de melhor portal nacional de videojogos. Ao longo de mais de uma década acompanhou de perto a indústria dos videojogos. Fundador do portal PlanetaJogos.pt, que pretende ser uma nova referência no seu campo.
5 Comentários
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18 Jul 2010, 12:54 pm
este parece um jogo para sair da rotina, hum… o que vou fazer agora??
ah já sei; vamos bater em ursos de peluche XD
18 Jul 2010, 12:57 pm
“Bater” é colocar a coisa de forma meiga.
18 Jul 2010, 12:59 pm
a segunda imagem partiu tudo XD
eu sou muito mau, e tenho um chapéu de chova que não me importo de usar XD
18 Jul 2010, 1:11 pm
concordo com a análise, o jogo não aproveita a originalidade que tem e acaba por sair uma das maiores desilusões de 2010… espera muito mais de Naughty Bear
18 Jul 2010, 9:07 pm
só 5? tanto alarido para 5? isto da publicidade anda-nos a fazer mal…