Sinopse
Nuclear Dawn: Análise
09/12/2011, em Análises , por Vitor Braz
Nuclear Dawn não reinventa a roda e nem sequer é o primeiro jogo a tentar misturar dois géneros bem distintos. No entanto, a InterWave conseguiu perceber o que os jogadores esperam tanto de um FPS como de um RTS e juntou os elementos principais numa experiência bem positiva e equilibrada, à qual apenas faltou um maior suporte financeiro para se tornar numa verdadeira referência.
Os mais cultos na arte dos videojogos poderão ter conhecimento de uma prévia tentativa de combinar estes dois géneros num só, que dava pelo nome de Battleswarm: Field of Honor. Era um jogo gratuito (vulgo free-to-play) e que foi elogiado por quem o pôde experimentar, mas saliente-se o pretérito perfeito, já que acabou por ser encerrado por falta de jogadores e consequente capacidade para sustentar o projeto.
Paz e amor para quê?
Desenrolando-se num ambiente pós-apocalíptico com a consequente devastação, Nuclear Dawn coloca duas facções – Empire e Consortium – em batalha pelos recursos e estruturas espalhados no mapa. A captura destes recursos é conseguida tendo um soldado tempo suficiente perto deles, sendo que certas estruturas de maior importância requerem a presença de mais unidades em simultâneo.
Nuclear Dawn oferece um bom compromisso entre os dois modos, não parecendo limitado num ou noutro. O trabalho dos jogadores na vertente FPS resulta em maiores possibilidades para o comandante na parte RTS, com um equilíbrio que terá forçosamente de ser obtido graças ao trabalho em equipa dos jogadores. Lamenta-se a ausência de um tutorial propriamente dito, existindo apenas uma mão-cheia de vídeos que nos ensinam as bases sem grande detalhe, tendo a verdadeira aprendizagem de ser realizada durante as batalhas.
Como mero soldado no campo de batalha, podemos optar entre quatro classes bem distintas mas clássicas: Exo, Stealth, Assault e Support. Os Exo são verdadeiras máquinas de guerra, com grandes armaduras e armas, mas algo lentos; a classe Stealth é a mais rápida e letal, tendo a capacidade de ficar invisível, mas é também a mais fraca; os soldados de Assault são equilibrados e capazes de usar um visor que descobre os inimigos que estejam a usar stealth; por fim, a classe Support pode parecer a menos apelativa mas é versátil, tendo capacidades médicas e de engenharia que são preciosas nas arenas.
A jogabilidade é familiar mas fica enriquecida com a noção dos comandantes e dos recursos que estes colocam no mapa, como locais para regenerar energia e munições, armas fixas ou pontos de respawn. Um bom comandante irá fazer toda a diferença, levando o seu esquadrão a avançar e a conquistar os recursos inimigos graças a uma tática bem delineada.
Em termos de sensações, Nuclear Dawn não é brilhante mas é muito eficaz. O motor Source já não vai para novo mas ainda se revela muito capaz, com o design dos mapas a ter os seus altos e baixos, sendo que os altos podem chegar a ser impressionantes. Com seis locais, a InterWave poderia ter adicionado alguma variedade consequente, mas nem todos saem de cabeça erguida. Se alguns são muito bons, com inúmeros locais para explorar, pontos verticais e passagens subterrâneas, outros parecem algo desprovidos de inspiração, tanto nas possibilidades estratégicas que oferecem como na própria direção artística. Para além disso, numa altura em que a destruição de cenários é um fator de peso, como Battlefield 3 atesta, nem um simples vidro se consegue partir em Nuclear Dawn. O mais importante é que os confrontos são rápidos e emocionantes, com muito a acontecer desde que estejamos perto da quota limite de 32 jogadores.
Ser comandante é outra história completamente diferente. Ter um veterano a orientar os seus soldados é essencial para um bom desempenho, sendo que o contrário resultará rapidamente na humilhação. Expandir o nosso domínio passa essencialmente por construir estruturas que fornecem eletricidade e assim passar a armas fixas e pontos de respawn em locais mais avançados, estendendo a nossa “teia” até ao local previamente ocupado pelo inimigo. Dar ordens aos soldados também é importante e vê-los a cumprir o desejado é extremamente gratificante.
Por outro lado, apesar de podermos votar para destituir um comandante ineficaz, esta vertente merecia mais algumas ferramentas, como a possibilidade de pontuar a sua prestação e esta servir de referência para futuros confrontos.
Apesar de poder ser criticado pela ausência de modos de jogo alternativos, Nuclear Dawn realiza todo o seu potencial no modo Warfare. A mistura de FPS e RTS com conquista de pontos no mapa é o seu trunfo e a sua grande razão de existir, que poderá ou não ser suficiente para convencer os fãs do género. No entanto, a InterWave conta incluir novos modos muito em breve, que esperamos serem tão interessantes como este.
Nuclear Dawn é um jogo competente e que pode ser facilmente encontrado a menos de 15 euros, mas não é o preço que faz a sua qualidade. É a sua arrojada mistura de géneros que pode acabar por parecer algo leve em conteúdo mas que ainda assim é capaz de resultar em muitas horas de calorosos confrontos, seja no campo de batalha ou no confortável posto de comandante.
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| Gráficos: 7 | Som: 6 | Jogabilidade: 7 | Pontuação Final: 7/10 |
Jornalista que foi um dos fundadores do portal PTGamers (Março de 1999) e o qual elevou ao estatuto de melhor portal nacional de videojogos. Ao longo de mais de uma década acompanhou de perto a indústria dos videojogos. Fundador do portal PlanetaJogos.pt, que pretende ser uma nova referência no seu campo.


















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