Sinopse
Power Rangers Samurai: Análise
22/02/2012, em Análises , por Vitor Braz
É difícil não conhecer o nome Power Rangers, mas nem sempre pelos melhores motivos. As séries com estas personagens coloridas eram conhecidas pelo exagero do seu aspeto kitsch, da abordagem “tão mau que acaba por se tornar divertido”, levando assim a uma imensidão de fãs entre os mais novos. Os anos passaram e o impacto foi diminuindo, mas ainda existem muitos seguidores espalhados pelo mundo inteiro. Power Rangers Samurai é um videojogo da Namco Bandai baseado na série do mesmo nome, que se encontra no ar desde 2011, e que pretende voltar a trazer estes heróis para a ribalta.
Em Power Rangers Samurai, o jogo, estão presentes os mesmos valores morais que foram introduzidos desde o surgimento destes heróis, isto apesar da violência apresentada. O companheirismo, a forma como personalidades diferentes se podem unir em harmonia e como a amizade pode superar todas as adversidades são mensagens regularmente passadas neste jogo. No meio disto, despachamos centenas de inimigos, todos iguais uns aos outros, à força de catana, para depois defrontarmos os bosses, em confrontos que deixam muito a desejar. Se pelo menos o jogo fosse tão bom como a mensagem que pretende passar…
Samurais dos tempos modernos
Power Rangers Samurai é um brawler à maneira antiga, tanto na premissa como no próprio design dos níveis, francamente dececionante. Os traçados dos mapas não revelam qualquer imaginação e, apesar de a partir do meio da campanha aparecerem alguns caminhos alternativos para recolher bónus, a experiência é essencialmente linear e repetitiva.
Apesar dos cinco Power Rangers, o modo cooperativo apenas permite que dois participantes joguem em simultâneo. A escolha do herói influencia alguns golpes especiais e conta com ligeiras diferenças na capacidade defensiva e ofensiva, mas quem olha para os combates poderia jurar que nada de diferente se passa, independentemente do herói. A escolha é ainda limitada consoante os níveis, com vista a corresponder ao trecho de história que é apresentado. Por exemplo, o Power Ranger verde é o único disponível para uma missão onde tem de provar as suas capacidades e persistência.
É na estrutura do jogo que Power Rangers Samurai deita tudo a perder. Com dois ataques (fraco e forte) e movimentos especiais que nos tornam invencíveis durante a sua execução (ainda que gastem a barra de poder), é somente tarefa de despachar os fracos inimigos nos cenários que constantemente se repetem. Com três discos (pelo menos) podemos fazer uma fusão que resulta num golpe devastador, embora o efeito no ecrã fique longe de transmitir essa ideia. No final destes níveis sem grande desafio chegamos ao boss. Aqui, tudo é demasiado simples se usarmos os ataques especiais, passando então para a segunda fase dos combates com os bosses, onde os Power Rangers se transformam em Megazord para um confronto de dimensões épicas… ou assim se esperava. Na verdade, esta fase mais se assemelha a um mini-jogo de ritmo saído de qualquer party-game, requerendo apenas que se abane no momento certo o Nunchuk para bloquear um golpe e o Wiimote para realizar um ataque. É um final desapontante, quando se pretendia algo marcante e que transmitisse algum sentimento de confronto entre dois titãs.
A história, narrada através de ecrãs fixos acompanhados de legendas, é claramente destinada aos mais novos. Algumas sequências em imagem real da série, como as transformações, encaixam bem no jogo e deveriam mesmo ser usados mais momentos destes, ao invés dos aborrecidos ecrãs estáticos.
Mas nem tudo é mau em Power Rangers Samurai. Podemos alongar-nos no pobre design dos níveis ou na extrema repetição dos inimigos e na sua ausência de inteligência artificial, mas o jogo acaba por passar o mesmo conceito que a série faz – é um prazer kitsch, old-school, de onde se consegue retirar alguns pontos positivos. Os gráficos, por exemplo, são claros e fiéis à matéria de onde se inspiram, não sendo desapropriados para uma Wii que já viu bem mais horrendo. A própria jogabilidade, apesar de tudo, não é das piores, e não será difícil passar uma tarde a terminar as missões do jogo.
Power Rangers Samurai encaixa-se na categoria dos jogos que não são propriamente maus, mas que não trazem nada de relevante para o seu género ou mesmo para os fãs a que se destinam. É um jogo de baixas ambições, limitado em vários aspetos e que rapidamente será terminado e esquecido. No entanto, pode ser entretido para quem tenha uns trocos a mais, consiga fechar os olhos aos seus maiores problemas e não seja demasiado crítico quanto ao seu tom old-school, com tudo o que de mau isso acarreta.
* Versão analisada: Wii
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| Gráficos: 6 | Som: 5 | Jogabilidade: 6 | Pontuação Final: 5/10 |
Jornalista que foi um dos fundadores do portal PTGamers (Março de 1999) e o qual elevou ao estatuto de melhor portal nacional de videojogos. Ao longo de mais de uma década acompanhou de perto a indústria dos videojogos. Fundador do portal PlanetaJogos.pt, que pretende ser uma nova referência no seu campo.















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