Sinopse
Puzzle Quest 2: Análise
04/08/2010, em Análises , por Vitor Braz
Puzzle Quest: Challenge of the Warlords foi uma das mais improváveis misturas de que há memória, um jogo que devia ter sido rejeitado sem pestanejar por qualquer grupo de gestores que sigam as habituais regras do risco reduzido. Afinal, misturar a estrutura de um RPG com a simplicidade e vício de um jogo de puzzle não é das ideias mais fáceis de imaginar, muito menos de prever o resultado final. Mas o jogo foi um sucesso e a Infinity Interactive, poder-se-á dizer, subiu de nível de experiência.
Após alguns spin-offs menos conseguidos, eis que surge a verdadeira sequela, Puzzle Quest 2. O plano é simples: pegar na fórmula original… ou melhor, na mistura das fórmulas originais e tentar afinar e expandir os seus elementos. Isso foi conseguido, não só com uma profundidade admirável no aspecto RPG, mas também com uma modificação visual que nos coloca mais perto do nosso herói, num resultado comparável aos jogos do género em 3D isométrico de tempos idos. E o vício? Esse permanece intacto.
Em busca das esmeraldas perdidas
Puzzle Quest 2 tem um atributo muito importante, invejável por todos os jogos seja em que plataforma for – oferece uma profundidade considerável (não confundir com complexidade, o jogo é bastante acessível desde os primeiros minutos), permitindo jogar durante horas a fio ou, por outro lado, fazer uma única partida rápida e sair satisfeito da vida. O sistema de gravação contribui para isso, gravando automaticamente a posição após cada combate ou evento importante. Dois minutos ou duas horas, Puzzle Quest 2 agrada a todos os públicos.
Sem este peso nos ombros, o jogo desenrola-se na perfeição e a diversão está desde logo ao alcance. Escolhemos o nosso herói entre quatro (bárbaro, assassino, feiticeiro ou templário) e partimos para a aventura, tudo instintivamente controlado através do estilete, seja a navegação da personagem no mapa ou os confrontos e puzzles nas grelhas. Saúde-se a vontade dos criadores em introduzir alguma variedade a um tema que poderia cair rapidamente na repetição. Assim, acções como abrir uma fechadura ou um baú, arrombar uma porta, desactivar uma armadilha e outras mais contam com elementos que alteram ligeiramente o esquema do puzzle. Certo, um jogo onde o objectivo primordial é juntar três peças iguais terá sempre as suas limitações, mas o trabalho em questão é audacioso.
Convém resumir o que torna os combates variados, o aspecto RPG que faz de Puzzle Quest 2 algo mais do que um simples jogo de puzzle como já vimos muitos. O tabuleiro é composto por jóias de diversas cores que são na verdade fontes de mana, cujas combinações possibilitam o uso de várias magias ofensivas ou defensivas com nomes sugestivos, desde o Enrage que transforma muitas jóias na cor vermelha ou o Tribal Mark, que concede um bónus de ataque. Podemos ainda equipar o nosso guerreiro com uma ou duas armas (dependendo do seu porte) que serão usadas quanto tivermos combinado suficientes jóias com o símbolo do punho. Quanto aos símbolos da caveira, estas são as peças de ataque e que retiram a energia aos guerreiros. Os confrontos são animados e os rivais distintos o suficiente para não cair na monotonia, tanto em termos visuais como de estratégia. Contrariamente ao primeiro jogo, aqui os adversários não parecem ser adivinhos, apesar de ainda existirem momentos em que as sucessivas combinações nos deixam à beira de um ataque de nervos.
Mas por mais que se olhe para Puzzle Quest 2 e para todas as suas qualidades, é impossível que um jogo com estas características não acabe por acusar a repetição dos seus processos. É por isso que deve ser jogado preferencialmente pouco de cada vez para não cansar. Lamenta-se igualmente o desaparecimento de certas opções de vertente RPG do primeiro jogo que poderiam tornar a experiência mais enriquecedora. Por fim, falta um pouco de consistência na componente sonora, que merecia mais cuidado na parte musical e nas raras vozes.
Resta salientar a opção para confrontos entre dois jogadores, desde que cada qual disponha de um cartucho. Defrontar um jogador humano é sempre algo que renova o interesse num jogo deste género.
Com os seus gráficos competentes e uma atmosfera que rapidamente se entranha, Puzzle Quest 2 é daquelas peças de colecção viciantes, capazes de sugar horas sem fim. Está longe de ser perfeito mas disfarça bem, com o seu característico toque RPG que poderia oferecer um pouco mais de qualidade nas missões – efectivamente repetitivas – para ficarem a par da excelência dos puzzles, com os diferentes feitiços e armas. Aliás, Puzzle Quest 2 incentiva ao recomeço com outra personagem para experimentar as diversas habilidades e armas previamente inutilizáveis.
Puzzle Quest 2 é um digno sucessor de um jogo surpreendente, disfarçando a sua aparente simplicidade com algo que o leva bem para lá de um mero passatempo sem profundidade. Jogos de puzzle com Orcs, Goblins e furiosos cubos gigantes de gelatina verde? Sim, por favor.
| Gráficos: 7 | Som: 5 | Jogabilidade: 7 | Pontuação Final: 7/10 |
Jornalista que foi um dos fundadores do portal PTGamers (Março de 1999) e o qual elevou ao estatuto de melhor portal nacional de videojogos. Ao longo de mais de uma década acompanhou de perto a indústria dos videojogos. Fundador do portal PlanetaJogos.pt, que pretende ser uma nova referência no seu campo.
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