Red Orchestra 2: Heroes of Stalingrad: Antevisão
23/08/2011, em Antevisões , por Vitor Braz
Nem todos são talhados para acontecimentos como a Segunda Guerra Mundial. Eu, no que me toca, não iria fazer grande diferença no desenrolar deste trágico evento que marcou a história da humanidade. Ou pelo menos é isso que me deixa perceber a experiência em Red Orchestra 2: Heroes of Stalingrad, sequela de um jogo multijogador que privilegia o realismo e a tensão de fazer parte das fileiras dos Aliados ou do Eixo.
A Tripwire situa-se na distante Geórgia e foi a partir daí que impressionaram meio mundo com Red Orchestra: Ostfront 41-45, um jogo realista e impiedoso que não era recomendado a jogadores ocasionais. A continuação continua a ser destinada apenas ao PC, elevando bem alta a bandeira da exclusividade que hoje em dia é usada sem dó nem piedade pelas consolas. A ideia é oferecer aquilo que as consolas atuais não conseguem, ou pelo menos fazê-lo melhor – combates com 64 jogadores, campos de batalha fielmente recriados a partir dos originais, uma balística à prova de bala (perdoem o trocadilho), conteúdos adicionais gratuitos e, sobretudo, as muito ambicionadas ferramentas para a criação de mods, que deverão ser lançadas em simultâneo com o jogo. Só esta última opção tem deixado milhares de jogadores desejosos por ter o jogo nas mãos, sedentos de dar asas à sua criatividade e prolongar, assim, de maneira incalculável o valor de um jogo por si só já bastante aliciante – de notar que, ao contrário do primeiro Red Orchestra, esta continuação vai mesmo incluir uma campanha a solo com a possibilidade de combater pelos alemães.
O realismo chega ao ponto de não existir qualquer contador para o número de balas – sabemos quantas munições temos aproximadamente ao olhar para o clip ou graças ao nosso jeito para a matemática. Um tiro bem colocado, normalmente, é suficiente para mandar abaixo um inimigo (aqui os soldados não são esponjas de balas), que por vezes ainda tem como último recurso o uso de umas ligaduras… isto até levar outro tiro vindo não se sabe bem de onde, de qual das dezenas de janelas ao nosso redor. Red Orchestra 2 pode parecer um paraíso para os campers, mas não podia estar mais longe disso; o que é uma opção acertada durante alguns segundos poderá significar a nossa morte pouco tempo depois.
Red Orchestra 2 é difícil, pouco dado a piedade. Talvez estas não sejam as palavras mais indicadas, mas deixa adivinhar perfeitamente o que acontece com frequência a quem não seja cuidadoso, não avance com a maior precaução e não conheça os locais mais estratégicos dos mapas. E locais assim há muitos, com os mapas a serem de dimensões intimidantes e generosos em variedade. É difícil dizer qual o mapa que mais nos agradou, embora alguns se destaquem, como o Grain Elevator, com um majestoso silo transformado numa fortaleza de muitos andares onde todo o cuidado é pouco.
É por tudo isto que Red Orchestra 2 não é um jogo para impacientes. Exige muita estratégia e trabalho de equipa, olhos de águia para ver uma arma que espreita da janela mais distante e, porque não, alguma provocação para iludir o inimigo quanto à nossa posição. Por tudo o que tem para oferecer, percebe-se que Red Orchestra 2 é realmente um exclusivo PC – a diversão está lá, o equilíbrio também, mas o realismo e a dificuldade tornam a recompensa bem mais saborosa. Eliminar um inimigo ou conquistar um edifício é muito mais agradável quando sabemos que isso foi fruto de uma tática, não do simples “correr e esperar pelo melhor”. Aqui, correr a campo aberto é praticamente sinónimo de morte certa, e isto sem falar nos tanques (com várias posições para ocupar) que alguns mapas possuem.
Quanto à oferta de Red Orchestra 2 em termos de quantidade, cada facção conta com sete classes com armas que permitem uma jogabilidade variada e diferentes abordagens, desde espingardas a metralhadoras, tanto normais como outras que são mais efetivas assentes no solo ou em qualquer beiral. Um sistema de experiência (honra) regista a nossa progressão nos combates e os melhores chegarão ao nível de herói, ganhando acesso a melhores armas e equipamento.
Red Orchestra 2: Heroes of Stalingrad parece bem encaminhado para conseguir o mesmo sucesso do anterior jogo, excluindo o efeito surpresa. Também não necessita de tal, tendo desde já uma comunidade que o conhece, que o deseja e que mal pode esperar por colocar as mãos nas ferramentas de mods. É um shooter multijogador rico e com mais intensidade num mapa do que muitos conseguem ter em todo o seu modo e um excelente motivo para voltar a falar das vantagens de um bom exclusivo PC.
Jornalista que foi um dos fundadores do portal PTGamers (Março de 1999) e o qual elevou ao estatuto de melhor portal nacional de videojogos. Ao longo de mais de uma década acompanhou de perto a indústria dos videojogos. Fundador do portal PlanetaJogos.pt, que pretende ser uma nova referência no seu campo.











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23 Ago 2011, 7:06 pm
Grande jogo