Sinopse
Starhawk: Análise
18/06/2012, em Análises , por Vitor Braz
A PS3 ainda procura aquele verdadeiro título multijogador que agarre milhares de jogadores online em frenéticos e duradoiros confrontos. Warhawk não foi bem esse jogo mas deixou excelentes indicações para o que agora nos surge como Starhawk, sequela espiritual com uma fusão de temas bastante original. Não só de temas, refira-se, a própria jogabilidade tem um agradável toque de estratégia que traz uma bem-vinda profundidade às partidas.
Se os cowboys raramente marcam presença nos videojogos, Starhawk seria provavelmente o mais improvável dos locais onde eles poderiam ter papel de destaque. No entanto, o estúdio Lightbox Interactive deve ser fã da saudosa série Firefly, onde estes cowboys do espaço percorriam a galáxia em emocionantes aventuras. A mistura resulta num tom original e confere ao jogo uma identidade visual interessante, embora longe de reunir consenso. No final, o que conta são mesmo os combates e esses têm emoção de sobra.

Os dogfights são muito intensos e emocionantes.
Cowboys do espaço
Contrariamente a Warhawk, Starhawk conta com uma campanha a solo que não será certamente o maior trunfo do jogo. No entanto, é uma adição com o seu valor, não só porque serve como um elaborado tutorial para o sumo do jogo e nos coloca numa história que tem a duração média de um jogo solo hoje em dia, ou seja, cerca de oito horas. Nunca chega a ser verdadeiramente emocionante – pelo menos de uma forma que o multijogador não consiga – e a narrativa não tem metade da força de outros jogos, mas a sua inclusão é sempre uma mais-valia. O problema maior reside na sua linearidade, como se as missões fossem cortadas e coladas do multijogador, obrigando-nos a conquistar e defender uma área até que as vagas terminem e nos seja dado o troféu merecido pelo nosso desempenho.
A história coloca-nos na pele de Emmet Graves e é-nos apresentada através de sequências ao estilo de banda desenhada, com animações mínimas, coisa que parece estar cada vez mais em voga, muito possivelmente por ser uma forma de cortar no orçamento de desenvolvimento. Graves é um pistoleiro afligido pela energia Rift, concedendo-lhe uma energia fluorescente que mudou a sua aparência e poderes e o tornou um ostracizado da sociedade. Isso não impede que ele regresse à sua colónia natal para a proteger dos ataques dos Outcast, uma raça de humanos que ficou demasiado exposta à energia e se transformou em destruidores mutantes. Este é o mote para os sucessivos ataques a que seremos sujeitos, para além de nos introduzir aos poucos às mecânicas do jogo, sobretudo da vertente de estratégia e construção de edifícios.
Mais do que partir com a metralhadora de base para cima do inimigo, é necessário usar o potencial da nossa base para ganhar vantagem. Os veículos que podemos usar, por exemplo, possibilitam uma abordagem variada por terra e ar, enquanto mantêm uma simplicidade de controlos digna de elogios. Seja o jetpack, a mota voadora, o buggy ou o tanque, todos eles são fáceis de dominar. Mais complicado é o Hawk, um mech capaz de se transformar em nave e entrar em emocionantes combates aéreos, mas depois da passagem pela campanha isto já deverá ser intuitivo.
Para aceder a estes veículos e a outras vantagens há que construir a respetiva estrutura, dispensando para isso a tal energia que é limitada, mas que se conquista eliminando inimigos, entre outras formas. A interface em formato circular não é a mais simples de utilizar numa questão de segundos, nomeadamente quando queremos construir alguma defesa urgentemente, como um canhão fixo e não acertamos com a posição da roda. Mas este é o único problema do sistema de construção, visto tudo o mais ser fácil, desde o posicionamento do edifício no terreno à sua utilização (gerar um veículo ou abastecer munições, por exemplo). Uma boa conjugação de edifícios é peça essencial para repelir as ofensivas da fação inimiga e nos fornecer o arsenal necessário para partir confiante para o ataque.

Um Mech contra um buggy... Sabemos onde colocamos a nossa aposta.
Não é pelos modos de jogo que Starhawk brilha, já que os quatro presentes são perfeitamente clássicos – mais do que isso, são oleados e afinados ao máximo para que os jogadores tenham bons motivos para continuar nos frenéticos combates. O Deathmatch e o Team Deathmatch dispensam apresentações e são ideais para algumas partidas rápidas onde o que mais conta é a pontaria afinada, mas uma boa tática é importante para o sucesso. O Capture the Flag é igualmente terreno conhecido mas ganha outra dimensão com a construção das bases, sendo como que duas fases num único jogo, cada qual de extrema importância, sobretudo a defesa da nossa bandeira com todos e mais alguns recursos. As coisas ficam mais interessantes no modo Zones, onde 32 jogadores em simultâneo têm de capturar e defender diversas zonas, resultando em emocionantes combates que podem não ter vencedor definido até aos últimos segundos das partidas. Existe ainda um modo cooperativo para quatro jogadores onde temos de defender o extractor de energia de sucessivas vagas de Outcasts, mas nada particularmente diferente daquilo que já vivemos a solo ou em multijogador.
O nosso desempenho e subida de experiência é premiado com alguns itens estéticos que podemos usar não só na personagem como nos veículos. Alguns feitos mais específicos poderão premiar-nos com algumas competências no campo de batalha, que podem tornar os combates mais desequilibrados.
Se as partidas são frenéticas e convidam à experimentação de táticas, não deixam de ser de certa forma algo frustrantes. Isto porque basta apanharmos uma equipa que se contenta em criar a mais forte defesa e aguardar pela investida inimiga para que as tão interessantes mecânicas pareçam agora desequilibradas e a favorecer uma atitude cobarde. No entanto, isto acaba por ser válido para muitos jogos do género e não apenas para Starhawk.
Visualmente Starhawk é meramente competente, com um estilo muito particular mas que não irá agradar a todos. Os mapas são mesmo um pouco áridos demais, não gozando de quaisquer pontos verdadeiramente marcantes. Restam áreas vastas e propicias a combates de grande nível, pelo que é um compromisso que se aceita. A banda sonora é tipicamente western e assenta no tema dos cowboys espaciais.
Starhawk acaba por provar que a experiência por trás de Warhawk foi bem aproveitada e existe aqui potencial para muito e emocionantes combates. Não é um rotundo sucesso, culpa de algum desequilíbrio na jogabilidade, já para não falar de uma campanha solo que tem o mérito de existir, mas é pouco mais do que um elaborado tutorial. A força de Starhawk está na mistura de ação, combate em veículos e estratégia, uma amálgama quase brilhante que nos irá roubar muitas e divertidas horas.
* Versão analisada: PS3
|
|
| Gráficos: 7 | Som: 7 | Jogabilidade: 8 | Pontuação Final: 8/10 |
Jornalista que foi um dos fundadores do portal PTGamers (Março de 1999) e o qual elevou ao estatuto de melhor portal nacional de videojogos. Ao longo de mais de uma década acompanhou de perto a indústria dos videojogos. Fundador do portal PlanetaJogos.pt, que pretende ser uma nova referência no seu campo.




















Facebook
Twitter
Youtube
RSS
Email