Sinopse
Trine 2: Análise
04/02/2012, em Análises , por Vitor Braz
Em 2009, o estúdio independente finlandês Frozenbyte surpreendeu meio mundo com uma bela fábula de plataformas que dá pelo nome de Trine. Agora, a sua sequela chega para maravilhar os restantes, mantendo a fórmula que celebrizou o primeiro jogo (e que deve muito a um tal de The Lost Vikings) mas multiplicando os enigmas, momentos emocionantes e, claro, os gráficos tão belos que até custa acreditar que estamos perante o monitor e não um belo quadro pintado pelos melhores artistas.
Este conto de fadas torna a colocar os nossos três heróis numa demanda inesquecível para salvar o reino de uma nova ameaça. O Trine, mítico artefato, faz por reunir Pontius o cavaleiro, Zoya a ladra e Amadeus o mago. A sede de aventura do primeiro encontra paralelo no desejo de encontrar riquezas da segunda e na hesitação do terceiro, mas em conjunto eles formam a equipa perfeita.
Um por todos e todos por um
O conceito de Trine 2 não é o mais inovador mas acaba por ser original nos dias que correm. Jogo de plataformas a duas dimensões (embora realizado em 3D) como se via regularmente nos anos 90, usa as diferentes habilidades das três personagens para ultrapassar vários puzzles e obstáculos. A cooperação é fundamental, assim como o uso da massa cinzenta em certos casos menos evidentes, mas em Trine 2 tudo tem solução. Aliás, este é um jogo linear na sua forma, mas a liberdade que as diversas habilidades nos conferem resulta em soluções que muitas das vezes nem eram as idealizadas pelos designers da Frozenbyte. A genialidade de nos colocar em mãos um “poder” significativo e nos permitir encontrar a nossa forma de jogar é algo de que poucos jogos se podem gabar, algo que é mais comum encontrarmos em RPGs como The Elder Scrolls V: Skyrim e não num mero jogo de plataformas.
O trio de heróis é do mais comum no género da fantasia, onde este jogo perambula, mas este cliché tem por trás a genica de uma rápida identificação das personagens. Pontius representa a força bruta e é uma arma de destruição massiva por si só, com a sua espada, escudo e martelo. Zoya usa a sua destreza com o arco e flecha e um gancho que faria o herói de Bionic Commando ficar orgulhoso. Por fim, Amadeus pode criar caixas do puro ar e mesmo levitar vários objetos e inimigos.
A recolha de pontos de experiência é essencial para adquirir novas habilidades, numa skill tree relativamente modesta mas que será mais do que suficiente para passar as cerca de dez horas de duração da aventura, pelo menos para o jogador que se digne a explorar os níveis convenientemente e não apenas a correr para o final. É uma longevidade merecedora de elogios, ainda para mais sabendo que um New Game + nos coloca no começo com as personagens tal como terminámos a aventura, abrindo novas possibilidades e facilitando a recolha dos extras (poemas e artworks, por exemplo) que ficaram pelo caminho. E depois temos o multijogador, local ou online, onde a jogabilidade se revela bem distinta daquilo que vivenciámos a solo.
Quanto às habilidades, Zoya pode ganhar flechas de gelo ou fogo, movimentos furtivos, entre outros. Amadeus pode conjurar mais caixas e tábuas em simultâneo e Pontius pode lançar o seu enorme martelo ou ter uma espada de fogo. São apenas alguns exemplos, mas no geral a oferta não é muito vasta.
Jogar Trine 2 a solo é, tal como o seu antecessor, uma experiência literalmente solitária. Se o grupo de heróis está “presente” nos níveis, apenas uma personagem é visível a cada momento. Alternar entre os heróis é uma obrigatoriedade, tendo a Frozenbyte ignorado outras possibilidades. A escolha terá sido acertada, visto que a IA nunca seria capaz de descortinar as intenções do jogador e, noutra hipótese, ter duas personagens paradas enquanto controlamos uma terceira não resultaria, dada a escala dos puzzles e em vários locais o fluxo de impiedosos inimigos. No final, o sistema funciona e rapidamente nos embrenhamos na aventura e na troca entre os heróis, muitas das vezes com uma destreza que – como referimos mais acima – nos abre novas soluções para um mesmo enigma.
Com dois amigos – ou desconhecidos – a experiência motiva a um recomeço da mágica campanha. A forma de superar os desafios é de tal maneira diferente que acabamos por ficar boquiabertos perante alguns enigmas inicialmente menos evidentes. O diálogo com os amigos e os pedidos de ajuda são da mais salutar camaradagem, tudo isto sem grandes preocupações com lag ou algo que prejudique a experiência. Embora esta seja a mais divertida forma de viver a aventura de Trine 2, a mais recompensadora é mesmo a solo, pelo que se recomenda a entrada no multijogador apenas depois de desvendada a trágica história das duas belas irmãs… e mais não digo.
Se as mecânicas de Trine 2 se mostram afinadas e é um prazer controlar estas personagens, a roupagem que a Frozenbyte deu ao jogo irá deixar mais de um jogador boquiaberto, espantado, maravilhado com a qualidade e variedade de cenários. Não há palavra que descreva com exatidão o quanto os olhos e os ouvidos saem deliciados desta aventura. Mais do que um videojogo, é pura arte visual que temos perante nós, uma minúcia sem igual e uma abundância de cor e efeitos especiais capazes de sensibilizar o mais desligado desta coisa que normalmente chamamos de gráficos. Palavras como poético, de sonho ou luxuosos são meras tentativas de fazer passar a mensagem que nem sequer as próprias imagens fixas são capazes de transmitir. Para se perceber o quão belo Trine 2 é tem de se jogar, de sentir a infinidade de detalhes que compõem um bucólico pôr-do-sol ou a mais violenta das tormentas, onde a animação das personagens e bosses se funde na perfeição com tudo o resto.
A banda sonora, genial, alterna na perfeição momentos de tranquila exploração com a emoção dos combates, neste caso passando a uma faixa de tom medieval que fica imediatamente no ouvido. Nem sequer o trabalho nas vozes foi deixado ao acaso, com sólidas interpretações para as três personagens principais.
Com tudo o que tem para oferecer, tanto a nível técnico como em termos de longevidade, é quase um roubo ter Trine 2 por 12 euros ou, melhor ainda, a edição de colecionador por cerca 20 euros, no caso da versão em caixa com oferta do primeiro Trine. É um dos melhores jogos dos últimos tempos e que impulsiona definitivamente a Frozenbyte para um patamar onde as expetativas são bem elevadas. Trine 2 é uma fábula como todas deveriam ser: belíssima como o mais maravilhoso sonho, apaixonante como o melhor conto e um prazer de jogar a solo, mas sobretudo no modo cooperativo.
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| Gráficos: 10 | Som: 9 | Jogabilidade: 9 | Pontuação Final: 9/10 |
Jornalista que foi um dos fundadores do portal PTGamers (Março de 1999) e o qual elevou ao estatuto de melhor portal nacional de videojogos. Ao longo de mais de uma década acompanhou de perto a indústria dos videojogos. Fundador do portal PlanetaJogos.pt, que pretende ser uma nova referência no seu campo.


















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